O que mudou em 10 anos na relojoaria

Em 10 anos, muita coisa mudou. Os clássicos continuam absolutos, mas muito ficou em 2016. Tamanhos diminuíram, tons mudaram e o excesso deu lugar à intenção. Algumas peças evoluíram com o tempo. Outras ficaram presas a ele.

Para muitos, o relógio não precisa chamar atenção. Precisa fazer sentido. Menos sobre impacto imediato, mais sobre proporção, história e escolha. Porque tendência passa. Mas quem entende, evolui junto.

Rolex Daytona “John Mayer”

Em 2016, o Daytona de ouro amarelo com mostrador verde ainda era um segredo entre poucos. A referência 116508 começou a ganhar status cult justamente por ir contra o óbvio: era ouro, era esportivo e ainda trazia um dial verde intenso, algo impensável anos antes.

Em 2026, o Daytona Ref. 126508 mantém o mesmo DNA, mas com a nova geração da linha. As proporções ficaram mais refinadas, o movimento evoluiu e o relógio deixou de ser exceção para se tornar símbolo. O que antes parecia ousado virou clássico moderno.

Cartier Santos

O Santos 100, em 2016, representava força. Caixa maior, presença marcante e uma leitura quase esportiva de um ícone histórico.

Já o Santos Medium atual volta à essência. Mais equilibrado, mais elegante, mais próximo da proposta original de Louis Cartier. A mudança não foi estética apenas - foi conceitual. O Santos deixou de querer impressionar para simplesmente existir com naturalidade no pulso.

Patek Philippe World Time

Em 2016, o World Time Ref. 5130G traduzia tradição pura. Um relógio contemplativo, pensado para admirar.

Em 2026, referências como o 5930G e o 5935A mostram outra abordagem. O World Time agora conversa com complicações adicionais, cronógrafo e leitura mais dinâmica. A função permanece poética, mas a execução acompanha um mundo que se move mais rápido.

Audemars Piguet Royal Oak

O Royal Oak Ref. 15400ST era, em 2016, o esportivo de luxo definitivo. 41 mm, presença forte e estética marcante.

O foco mudou. Referências como a 15510ST e, principalmente, o retorno do Jumbo Extra-Thin 16202ST mostram um novo olhar: menos impacto, mais fidelidade ao desenho original. O Royal Oak amadureceu junto com quem o usa.

Omega Speedmaster Moonwatch

O Speedmaster de 2016, com calibre 1861, carregava a herança lunar de forma quase intocável. Era o último elo direto com o passado.

A versão atual, com calibre 3861, mantém a estética, mas traz certificação Master Chronometer, melhorias técnicas e refinamentos discretos. A mudança é invisível à primeira vista - e exatamente por isso faz sentido. Evoluir sem romper.

TAG Heuer Carrera

Em 2016, o Carrera Heuer 01 representava o auge da estética moderna da marca: esqueletização, linhas agressivas e visual quase futurista.

Em 2026, o Carrera Glassbox faz o caminho inverso. Mostrador limpo, vidro abaulado, inspiração direta nos anos 60. A TAG Heuer não abandonou a inovação, apenas entendeu que identidade também é saber olhar para trás.

IWC Big Pilot

O Big Pilot 46 era, em 2016, quase uma afirmação de poder no pulso. Grande, robusto, impossível de ignorar.

O Big Pilot 43 traduz o mesmo espírito em outra escala. Continua sendo ferramenta, continua sendo piloto, mas agora conversa melhor com o cotidiano. O relógio permanece icônico, porém ficou mais usável.

Panerai Luminor

O Luminor 44 mm, como o PAM00510, definia o padrão Panerai em 2016: grande, pesado, inconfundível.

Em 2026, o Luminor Quaranta de 40 mm mostra uma Panerai mais consciente do pulso moderno. O design segue intacto, mas a proporção mudou. Não é concessão. É adaptação inteligente.

Rolex Datejust

O Datejust de 2016, especialmente nas versões lisas e maiores, acompanhava uma fase de crescimento geral dos relógios.

Em 2026, o retorno ao Datejust 36 com luneta canelada mostra uma valorização do clássico. Menos sobre presença, mais sobre elegância atemporal. Um relógio que não depende da época, apenas atravessa elas.

O tempo mudou. O olhar também.

Em 10 anos, a relojoaria não ficou menor. Ficou mais consciente.

Os relógios continuam sendo objetos de desejo, mas agora falam mais sobre escolha do que sobre impacto. Mais sobre permanência do que sobre tendência.

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